BLOG DO REI PELÉ !!!
BLOG DO REI PELÉ !!!

posted by Fanático Santista 8:49 PM

posted by Fanático Santista 2:09 PM
Pelé, o mais jovem de todos os jogadores que disputaram a Copa da Suécia, um adolescente, terminou sendo seu jogador mais importante. A imprensa estrangeira se apaixonou por ele, porque o via sempre com um imenso sorriso nos lábios. Os jornalistas brasileiros, inspirados, costumavam brincar que ele parecia, na verdade, "um Saci de duas pernas" - como se sua segunda perna, na verdade, fosse uma terceira. As referências não só a Pelé (embora especialmente a ele), mas à seleção brasileira evocavam a força do mito. O experiente cronista esportivo francês Jean Cornu, do L'Equipe, chegou a escrever que o selecionado brasileiro "lançou mão de dons sobrenaturais" e que os jogadores brasileiros se colocavam diante de seus adversários "como homens vindo de outros planetas". Era o estranhamento, elemento essencial da arte, que se aderia à imagem e às atuações de Pelé. Que o entronizava.
Exatamente como na arte, o que sobressaía era a sensação de espanto e de surpresa. Surgia o mito. Pelé é claro. Feito mito, ele continuava a ser, ainda assim, o mesmo menino. De volta ao Brasil, na recepção que o governador de São Paulo, Jânio Quadros, ofereceu aos campeões mundiais, quase ninguém o viu. Desinteressado pela festa, Pelé passou a maior parte do tempo escondido no zoológico do governador, sozinho, divertindo-se com as antas e os pavões. A infância do Rei ainda não terminara.
A arte de Pelé nunca excluiu o medo. Ao contrário, ele é um elemento crucial em qualquer criação, e Pelé sentiu isso na pele. Não teve constrangimento algum em confessar publicamente suas crises de pânico, que em geral os atletas dissimulam, como se ela pudesse macular sua imagem varonil e desmerecê-los, Antes da partida final da Copa de 1958, contra a Suécia, em Estocolmo, Pelé sentiu-se tão apreensivo, tão aflito. que "mal queria jogar".
trecho extraído do livri Pelé - os dez corações do Rei - José Castello
posted by Fanático Santista 6:10 PM

posted by Fanático Santista 5:22 PM

posted by Fanático Santista 1:29 PM
Pelé e Didi
posted by Fanático Santista 1:21 AM

posted by Fanático Santista 11:23 AM

posted by Fanático Santista 5:48 PM
A troca de Joaquinzinho pelo Rei
Quando excursionava pelo interior do Rio Grande do Sul, o garoto Pelé, então com 16 anos, e que aos poucos ia se firmando na equipe titular do peixe, foi sondado, sem saber, por dirigentes gaúchos, os quais ficaram impressionados com o talento mostrado pelo jovem de canelas finas e corpo franzino, na partida disputada no dia 22/03/57, no empate do Santos diante da equipe do Brasil de Pelotas, no estádio da Boca do lobo.
Essa sondagem deu-se no saguão do Grande Hotel de Pelotas, quando o presidente do time locar, Carlos Russomano, ouviu do técnico Lula o pedido de liberação do atacante Joaquinzinho, o grande destaque daquele time. O presidente gaúcho respondeu que só liberaria o atleta caso o Santos pagasse CR$ 400 mil e cedesse também "aquele negrinho rápido" que o técnico Lula houvera colocado em campo no segundo tempo.
O técnico Lula disse que não haveria negócio, pois aquele menino era um talento a ser lapidado e que o clube santista não tinha interesse em se desfazer do jovem craque, pondo fim à conversa.
Esse relato é a verdadeira história da tão decantada troca de Pelé por Joaquinzinho, a qual até hoje se comenta no sul do país. Fora desse contexto o que há é puro folclore gaúcho.
* texto extraído do livreto "Pequenas histórias da história do Santos Futebol Clube" - Guilherme Guarche
posted by Fanático Santista 8:43 PM

posted by Fanático Santista 5:43 PM

posted by Fanático Santista 1:00 AM
Vamos ver se vocês publicam esta foto do Rei, o "baixinho" da foto sou eu, na época com 3 anos, a foto foi tirada antes da Copa de 58 !!! Sou pé quente ou não !!!
Ricardo Constantino

posted by Fanático Santista 11:30 PM
Maradona chama Pelé de "Rei"
Um encontro histórico com Pelé marcou o primeiro programa de Maradona na emissora Canal 13 da televisão argentina. Os dois maiores jogadores do mundo, que protagonizaram momentos de rivalidade histórica embora não tenham sido contemporâneos, trocaram cumprimentos, cantaram e falaram de seus filhos na estréia de La Noche del 10 (A Noite do Dez).
Depois de passar por tratamento para se livrar do vício das drogas, Maradona se sentiu à vontade de perguntar a Pelé sobre a situação de seu filho, Edinho, preso em São Paulo acusado de consumo e tráfico de drogas. O ídolo brasileiro, emocionado, não se recusou a comentar o caso.
"Você é um exemplo para meu filho. Espero que ele tenha força para entender isso, e nós dois juntos podemos fazer muito na luta contra as drogas", disse Pelé, sentado de frente para o argentino em uma mesa redonda, que tinha as bandeiras do Brasil e da Argentina desenhadas.
Maradona emendou em seguida: "Temos de deixar claro o nosso ponto de vista nesse caso e fazer com que as pessoas larguem isso".
Ainda na mesa, Pelé e Maradona autografaram uma camisa da Seleção Brasileira e da argentina, respectivamente. As assinaturas foram dedicadas aos filhos dos dois craques - as argentinas Gianinna e Dalma e o brasileiro Edinho.
Bate-bola
Maradona aproveitou a festa para desafiar Pelé em uma brincadeira com uma bola de futebol. O argentino chamou o brasileiro para trocar passes com a cabeça, e nenhum dos dois fez feio.
A bola passou da cabeça de um para outro sem cair no chão por cerca de dois minutos, até que o argentino decidiu interromper a brincadeira para dar prosseguimento ao programa.
Outros nomes históricos do esporte mundial fizeram parte do primeiro programa de Maradona. A tenista Gabriela Sabatini e do atacante Gabriel Batistuta, ex-companheiro de El Pibe na seleção argentina. O goleiro Goycochea também compareceu, para dividir a apresentação do programa com Maradona.
Música
Outro momento descontraído de La Noche del 10 foi quando Maradona pediu a Pelé para cantar uma música e tocar violão. Depois de um momento de hesitação, o Rei começou a dedilhar e cantar: "Quem sou eu, Maradona, quem é você. O que é certo para mim, pode ser errado para você".
Depois do show, Maradona dispensou a banda e cantou um tango de um garoto que sonha em jogar futebol como os grandes astros.
Como prova de amizade, Maradona distribuiu charutos a todos os convidados depois da conversa com Pelé. Discretamente, o Atleta do Século guardou o seu no bolso do paletó.
posted by Fanático Santista 9:33 AM
Tabu
Por dez anos, enquanto Pelé jogava no Santos, o Corinthians do Parque São Jorge não venceu uma única partida contra os santistas. Os resultados foram os seguintes:
14 de setembro de 1958 - Santos 1 x 0, gol de Pelé
07 de dezembro de 1958 - Santos 6 x 1, quatro gols de Pelé
30 de abril de 1959 - Santos 3 x 2, um gol de Pelé
26 de agosto de 1959 - Santos 3 x 2, um gol de Pelé
27 de dezembro de 1959 - Santos 4 x 1, dois gols de Pelé
31 de julho de 1960 - empate em 1 x 1, gol de Pelé
30 de novembro de 1960 - Santos 6 x 1, um gol de Pelé
03 de dezembro de 1960 - empate em 1 x 1
23 de setembro de 1962 - Santos 5 x 2, um gol de Pelé
03 de novembro de 1962 - Santos 2 x 1, um gol de Pelé
03 de março de 1963 - Santos 2 x 0, dois gols de Pelé
21 de setembro de 1963 - Santos 3 x 1, três gols de Pelé
14 de dezembro de 1963 - empate em 2 x 2, Pelé não jogou
18 de março de 1964 - Santos 3 x 0, um gol de Pelé
30 de setembro de 1964 - empate em 1 x 1, gol de Pelé
06 de dezembro de 1964 - Santos 7 x 4, quatro gols de Pelé
15 de abril de 1965 - empate em 4 x 4, quatro gols de Pelé
29 de agosto de 1965 - Santos 4 x 3, dois gols de Pelé
14 de novembro de 1965 - Santos 4 x 2, um gol de Pelé
08 de outubro de 1966 - Santos 3 x 0
17 de dezembro de 1966 - empate em 1 x 1, Pelé não jogou
13 de maio de 1967 - empate em 1x 1, gol de Pelé
10 de setembro de 1967 - Santos 2 x 1, Pelé não jogou
10 de dezembro de 1967 - Santos 2 x 1, um gol de Pelé
O primeiro jogo vencido pelo Corinthians após este período aconteceu a 6 de março de 1968, com um placar final de 2 x 0.
posted by Fanático Santista 2:00 PM

posted by Fanático Santista 1:03 AM

posted by Fanático Santista 11:27 PM
O Cruzeiro - Julho de 1975
Levado pela premente necessidade de atender a compromissos financeiros de vulto, 18 anos depois de se ver transformado no maior mito do futebol, Pelé decidiu aceitar uma proposta do New York Cosmos para defendê-lo durante 3 temporadas de 6 meses cada uma, ganhando cerca de 6 milhões de dólares (CR$ 48 milhões), mais 67 por cento sobre todo o merchandising de seu nome, e outras conveniências fabulosas. Para quem havia encerrado a carreira de maneira tão definitiva, a ponto de recusar um lugar na Seleção Brasileira, a decisão de voltar aos estádios foi uma surpresa para os mais renitentes defensores do Rei.
Pelé, 6 milhões de dólares - o preço de um mito
Reportagem de Gerado Romualdo
Em face de problemas financeiros advindos da falência da Construtora Netuno - empresa associada à Sanitária Santista, da qual era também proprietário juntamente com seu ex-companheiro Zito - e ainda a súbita crise que se abateu sobre a Fiolax carregando nessa corrente de insolvência até o Centro de Fisioterapia que expõe seu nome no alto do expediente da Direção. Pelé não teve outra alternativa senão optar pela proposta supermilionária que o New York Cosmos lhe fez. A proposta, examinada na sua superfície esportiva, significou um compromisso de três temporadas jogando futebol nos Estados Unidos - o equivalente a seis meses de atuação em cada uma, ao todo 85 partidas, ganhando 6 milhões de dólares (48 milhões de cruzeiros) e mais 67 por cento do merchandising que seu nome significa em áreas comerciais diversas.
O lado mais grave do processo foi a intimação que ele recebeu da Justiça, no dia 27 de maio deste mesmo ano. Nessa oportunidade, em São Paulo, o juiz Angelo Trigueiros, da 1ª Vara Cível, ordenou a expedição de um edital que os jornais publicaram, anunciando que "Edson Arantes do Nascimento e outros três industriais a ele associadas se manifestassem no prazo de três dias, a contar da data da publicação, sobre o protesto de alienação de seus bens". O caso tinha direta ligação com um empréstimo bancário concedido à empresa Fiolax - Indústria de Borracha S/A, da qual Pelé e outros industriais participam efetivamente como acionistas ou diretores.
Como não podia deixar de acontecer, essa nota causou funda repercussão. Pelé, ausente do país, revoltou-se com a notícia e prometeu ação imediata igualmente na Justiça. Tinha o seu amor próprio arranhado e iria reclamar uma reparação à altura. Aconselhado entretanto por amigos, acreditou ser mais prudente dar tempo ao tempo.
Um mito em apuros
Constrangido por esse volume surpreendente de publicações envolvendo seus negócios particulares, Pelé não vacilou nem mais um instante em topar o desafio lançado pelo Cosmos. Era um direito que tinha, independente da sólida imagem construída, anos após anos, de homem de uma palavra só - imagem irretocável de um mito invulnerável que se projetou com grandeza, no país e no mundo.
Mas há momento em que o mito, por mais inconfundível que ele seja, se veja tentado a voltar atrás. Pois foi o que fez. Então, a partir desse escândalo, Pelé não mais vacilou em embarcar depressa na canoa do Cosmos - e por que não? Afinal, se se tratava de um namora tão velho, que motivo havia para não alcançar o casamento?
Uma paixão bem antiga
Foi na Jamaica, por volta de 1972, que Pelé manteve seu primeiro contato com os poderosos empresários do lendário Cosmos. Ele já havia se despedido da Seleção Brasileira - conta um inconfidente, seu amigo de Santos - e já cumpria contrato promocional com a Pepsi-Cola, quando o procuraram em nome da Warner Communication, uma agência de imensos recursos nos Estados Unidos, com múltiplos interesses tanto na área do cinema como do rádio e da televisão. O que os emissários da Warner queriam é saber se ele estaria disposto a tirar do marasmo o incipiente futebol norte-americano.
Embora os dólares da Warner soassem forte e que a oferta merecia todo respeito, Pelé pediu tempo para pensar. Os homens da Warner, pacientes e obstinados, não se recusaram a atendê-lo. A rigor, o que dificultou basicamente o prosseguimento das demarches naquele instante foi o fato de o contrato com o Santos ainda manter-se em vigor. Uma vez porém que se libertasse de todo ¿ o pressentimento foi geral - passaria a calcular melhor o alcance do convite vantajoso, mesmo que tivesse de romper uma palavra que gostaria de conservar pelo resto da vida.
Um adeus sem certeza
No dia 2 de outubro do ano passado, Pelé fez suas despedidas do futebol. Foi um dia de muita festa e muita lágrima. O estadinho do Santos estremeceu de gente para vê-lo pela última vez. Sua apresentação foi digna e estudada. No intervalo do primeiro para o segundo tempo, seguido por um batalhão de meia centena de fotógrafos, ele se ajoelhou no centro do campo, estendeu os braços para a multidão e chorou copiosamente.
A dor da saudade não duraria muito. Persuasivos e determinados, carregados de dinheiro, os empresários da Warner voltaram novamente à carga. Desta vez, em Santos mesmo. Presente, a fim de garantir o êxito dos entendimentos, a turma de maior peso da Warner e do próprio Cosmos: Clive Toye, vice-presidente, e Nesuhi Ertegum, gerente de negócios. A cantada não poderia ser mais infalível. Clive soltou a primeira nota:
- O importante é que você passe três temporadas conosco, levando uma boa compensação.
- Quanto? - indagou Pelé, os olhos rútilos.
- Três milhões de dólares.
Pelé venceu o estremecimento com a seguinte desculpa:
- Bem. Vou ter que conversar primeiro com minha mulher. Se ela achar que vale a pena, voltaremos a nos entender.
Mais tarde, consultados prós e contras, Pelé tornou a receber Toye em seu escritório.
- Então, vamos ou ficamos? - indagou, sinuoso, o empresário.
- Depende. Se o Cosmos me pagar o dobro da oferta proposta, é provável que acertemos as contas.
- Seis milhões de dólares?
- Sim, senhor, seis milhões de dólares.
Clive Toye teve um gesto de enfado, as mãos caindo pelo corpo pesado:
- Não podíamos reavaliar esse detalhe?
Pelé disparou sua flecha bem no alvo:
- O senhor não é o vice-presidente executivo do Cosmo? Pois avaliemos agora!
Mas o gordo Toye, a pretexto de novas consultas, solicitou um breve adiamento.
- De acordo, Pelé?
- Perfeito. De pleno acordo.
Em casa, regressando de uma excursão, Pelé confessaria a Rose e seus assessores mais íntimos que só havia "pedido aquilo tudo para ver se o gringo desistia".
- Sabe o que é, eu já deixei o futebol e não sinto nenhuma vontade de voltar.
Estava tenso e preocupado com o futuro:
- Tem outra coisa: juro que não me sinto inclinado a jogar futebol como profissional. Foram 18 anos de carreira e emoção. Será que isso não basta?
O sacrifício da família
Aconteceu que os norte-americanos não estavam dispostos a ceder, e realmente não cederam. Nesse ritmo, menos de um mês após o último encontro com Toye, Pelé tornou a ser ansiosamente procurado em casa; agora o que a Warner desejava é que o contrato fosse assinado o mais rápido possível, na base de 5 milhões de dólares.
Pelé mergulhou na mais profunda indecisão:
- O problema - confessaria - é que com isso irei sacrificar minha família, obrigar minha mulher e meus filhos a viverem fora do Brasil, coisa que nunca quis fazer, vocês sabem melhor que eu!
Finalmente, chegou a hora de se definir. Sozinho a argumentar romanticamente que não havia se casado para sacrificar a família, terminou voto vencido. E aí a primeira providência foi avistar-se com o professor Altivo Ferreira, economista e secretário da Fazenda Municipal em São Paulo, para conhecer detalhes sobre o U. S. Tax - a taxa de imposto de renda nos Estados Unidos.
O professor Altivo não lhe negou as informações solicitadas, tendo demonstrado que, carecendo de rigor nas cláusulas do compromisso prometido, pouco lhe iria sobrar do montante dos 6 milhões de dólares.
Mas os persistentes homens do Cosmos não se entregaram. Como no início, mostraram que o negócio poderia ser feito de outra maneira.
- Os impostos não impedirão que façamos esse trato.
Nesuhi Ertegum, perto de Rafael de la Sierra, outro membro da comitiva, foi logo advertindo:
- No problems, Mr. Pelé!
E partiu para o deslumbramento:
- Ora, amigo, quem tem o Frank Sinatra, o Bob Dylan, o Mike Jagger, os Rolling Stones, o Paul Newman e o Kubrith sob contrato, jamais admitirá transformar o Rei do Futebol num boneco de sua trupe.
Como de outras feitas, os grandes olhos de Pelé brilharam intensamente, enquanto do seu lado direito e esquerdo corriam abraços e manifestações de contentamento.
- O seguinte - ele disse -; primeiro eu quero que me dêem 50 por cento de todo o merchandising a que tenho direito sobre a marca Pelé. E isso, vamos deixar bastante claro, durante seis anos. Algum problema?
Resposta taxativa de De la Sierra:
- No problems.
- Ainda mais: quero que a Warner se comprometa a trabalhar junto com a Pepsi-Cola. Essa é uma questão delicada, muito importante para mim, de maneira que não abrirei mão dela em nenhuma circunstância!
- Ok, Ok. No problems, Mr. Pelé.
A voz de Toye era firme e confiante.
Pelé não ficou nisso. Quando se esperava que ele não tinha mais obstáculos a apresentar , de novo levantou a voz e declarou:
- Isto que agora vou lhe dizer é superimportante: jamais me obrigue a fazer propaganda a respeito de álcool ou cigarro.
- Right. No problems.
Nesuhi Ertegum, envolto na fumaceira desprendida do havana de Toye, apertou o gatilho pela penúltima vez:
- Quer dizer que estamos entendidos, não há mais nada, tudo Ok?
Pelé mexeu-se na cadeira, inquieto e sorridente:
- Por favor. Um pouco de tolerância. Negócios são negócios.
- No problems, Mr. Pelé...
E Pelé:
- Vou querer uma garantia antecipada de 5 por cento nas ações do Cosmos, certo? É o seguinte: hoje o time vale 500 mil dólares, mas amanhã, poderá valer dez vezes mais.
- No problems, my friend. Ok.
Os olhos cansados de sono, Clive, Ertegum e De la Sierra preparam-se para ir embora.
- Um momento, por favor.
Era Pelé, de novo;
- Vou precisar de um escritório no Rockfeller Center, um Cadillac para mim e minha família, avião para assuntos urgentes, colégio para as crianças e apartamento central, bem central. De resto, a garantia de um intenso intercâmbio esportivo Brasil-Estados Unidos e uma verba que se destine à Fundação Pelé, para crianças pobres se desenvolverem no ensino e nos esportes, perfeito?
- Well, no problems.
Só não falou em Sinatra. O outro mito que ele, um dia, espera trazer ao Brasil para cantar em homenagem aos seus meninos pobres da futura Fundação Pelé.
Assim como diz Chaplin, o pedestal do mito pode ter ficado abalado. Mas o conceito de homem de negócios, jamais.

posted by Fanático Santista 12:37 PM
O Rei com o seu fã John F. Kennedy, ex-presidente dos Estados Unidos que foi assassinado.
posted by Fanático Santista 2:15 PM
O Soco no Ar
A mística de Pelé se reafirma em pequenos gestos emblemáticos, que ele consagrou intuitivamente, sem que tivesse decidido, ou planejado isso. Gestos de adesão apaixonada e de fervor, que se tornaram marcas do devotamento quase sagrado que ele sempre empenhou em sua carreira de jogador profissional. O mais célebre deles talvez seja o famoso soco no ar, com que se habituou a assinar seus gols. Mais uma vez, como que comprovando a força do destino, tal gesto surgiu por mero acaso e, o mais curioso, com um significado diferente. Não como uma expressão de felicidade, mas, em vez disso, como um revide a uma ofensa que ele sofreu em campo. O soco no ar foi visto, pela primeira vez, no ano de 1959, durante uma partida pelo Santos contra o Juventus, no estádio da rua Javari. Pelé tinha apenas 18 anos de idade.
Mesmo sendo, já naquele tempo, um campeão mundial consagrado, ou talvez por isso, durante a partida Pelé recebeu muitas vaias da torcida do Juventus. Torcedores mais exaltados numa exibição de racismo, o chamavam de "macaco" e sugeriam, nada amavelmente, que ele deixasse o campo e voltasse para a selva. Pelé socou o ar, pela primeira vez, como uma forma de revide, como se, com aquele movimento violento do braço, pudesse atingir toda a torcida que o maltratava. O gesto, que surgiu como uma expressão de raiva, foi experimentado mais tarde por ele como um sinal de alegria. E assim, como um gesto de regojizo, ele entrou para a história do futebol.
posted by Fanático Santista 8:47 PM

posted by Fanático Santista 1:53 AM
O FILME DE PELÉ
As lembranças que dele guardo, na mente e no coração, se sucedem como num filme: vejo-o, corpo inclinado pra frente, os pés tocando a bola, céleres, um drible aqui, duas fintas adiante - era um estrépito na direção da área. Havia sempre alguém com quem tabelasse: no começo foi Pagão, depois seria Coutinho e, por fim, Tostão. O melhor da cena é que , à falta de um parceiro, ele chegava, muitas vezes, a usar a perna do beque rival na vertigem de uma triangulação. Houve um gol no Benfica, no Mundial de Clubes, em que, por duas vezes, no mesmo lance, Pelé fez tabelinha com desatentas canelas portuguesas.
Pelé não tinha um pingo de sofreguidão. Era tamanha a superioridade técnica, tão notável a força e mental, que, dentro ou fora da área, atemorizava todo mundo. Daí ter feito todo tipo de gol que alguém possa imaginar. É o que digo, em crônica escrita sobre o gol 1000: "¿O gol de ação, Pelé está cansado de fazer, chutando bolas suadas, bolas amadas, bolas sangrentas, bolas mortas, bolas vívidas, bolas divididas. O gol dos deuses, desses, Pelé certamente perdeu a conta: bola no peito, três dribles verticais, um chute certeiro. O gol dos espertos, Pelé já fez: uma tarde, enlaçou o braço de um beque e saiu a gritar pro juiz: 'Ele está me agarrando!' Pênalti - Pelé cobrou e marcou."
Um dia, Pelé vai deixando a grande área, arrastando uma perna. O beque recebe do goleiro e sai com a bola, despreocupado, sem desconfiar que Pelé não estava machucado coisa nenhuma. Era fingimento. De repente, não mais que de repente, Pelé dá um bote, o beque toma um susto, descontrola-se, perde o domínio da bola - gol de Pelé!
Conheci Pelé, de perto, no mundial de 58, na Suécia. Era um garoto de 17 anos, mas já dava pra perceber que despontava, ali, naquela jovem criatura, uma pessoa especial. Era eu, repórter-fotográfico da revista O Cruzeiro. Quando, depois de um treino, Pelé se viu fotografado por mim, aproximou-se e me fez meia dúzia de perguntas sobre meu ofício: queria comprar uma Leica igual à minha, quis saber como se manejava um fotômetro. Concluí, logo, que aquele menino abrigava uma alma universal.
No trato pessoal, era um guri afável. Sabia conviver; tinha um jeito cordial de pedir um favor. Um dia, propôs uma conversa reservada com o chefe da delegação, o doutor Paulo Machado de Carvalho. Abriu-lhe o coração: dera sorte, estava namorando uma suequinha. Queria uma dispensa para ir ao cinema com ela. O problema era que o cinema só acabava às dez e meia da noite e o toque de recolher obrigava todo mundo a ir pro quarto às dez horas. O chefe pediu um tempo. Foi sondar os mais velhos: chamou Didi, Bellini e Nilton Santos. Contou o papo que tivera com Pelé.
- Que é que vocês acham? - perguntou o chefe, diplomático.
Os três disseram que não viam nada de mais...
- Está bem - concluiu doutor Paulo -, mas tem uma coisa: isso nunca vai valer pra vocês...
No filme que a saudade projeta na minha imaginação aparece, gestos inesquecíveis: a cabeçada que Banks defendeu, no mundial de 70, o corta-luz em Mazurkiewicz, o bate-pronto no mesmo goleiro, o cósmico lençol no checo Viktor, o célebre gol de placa que não vi mas que minha memória recriou e continuará recriando e aperfeiçoando, vida afora, o meio chapéu de dimensões irreais que aplicou num varapau, no jogo contra Galles, na Copa de 58.
A coleção é infinita, como infinita há de ser a gratidão das pessoas como eu que tivemos a ventura de ver tanta coisa sublime que soube criar nun campo de futebol o herói hoje reverenciado no mundo inteiro, pelos 60 anos de vida humana que se confunde com a vida da própria bola de futebol.
É aquilo que escrevi, há mais de 30 anos: "se Pelé não tivesse nascido gente, teria nascido bola..."
Texto escrito por Armando Nogueira extraído do livro A Ginga e o Jogo - Todas as emoções das melhores crônicas de Armando Nogueira, Editora Objetiva.
posted by Fanático Santista 5:22 PM
Atletas do Santos de todas as categorias de base e o sprofissionais foram ao cinema junto com o Rei prestigiar a obra de arte "Pelé Eterno" em 2004.

posted by Fanático Santista 7:31 PM
Cetro que o jogador ganhou da Iugoslávia em 1971 despedida da seleção
posted by Fanático Santista 3:43 PM
Pelé já foi o 13
Pelé se consagrou para o mundo com a camisa 10 em 1958, na Suécia. Mas foi a camisa 13 a primeira que ele vestiu na Seleção Brasileira, em seu jogo de estréia, no dia 7 de julho de 1957, no Maracanã. Pelé, que estava no banco de reservas, entrou no lugar de Del Vecchio e marcou o gol do Brasil na derrota de 2 a 1 para a Argentina.
Treze anos depois, já Rei do Futebol, Pelé voltaria a vestir a camisa 13 do Brasil. No dia 26 de abril de 1970, com Zagallo como treinador, Pelé ficou no banco de reservas em um amistoso contra a Bulgária, que terminou empatado em 0 a 0, na preparação para a Copa do Mundo do México - naquele dia, no Morumbi, o titular da posição, o número 10, foi Tostão.
posted by Fanático Santista 12:28 PM
Na década de 1980, para homenagear o maior jogador de futebol de todos os tempos, Mauricio de Sousa criou Pelezinho, que teve revista própria e fez bastante sucesso na época. Depois, o personagem foi para o "limbo" e já ameaçou retornar várias vezes, todas infrutíferas. Leia como foi a negociação com o Rei segundo o próprio criador da Turma da Mônica:
"Pelé, Pelezinho ou Pelezão"
A idéia já vinha se fortalecendo a cada encontro meu com o Pelé. Que ocorriam, geralmente em aviões ou aeroportos.
Na primeira vez na volta de uma viagem da Itália, falamos da criação de um personagem baseado na sua figura.
Depois continuamos discutindo, aqui e ali, como deveria ser esse personagem: Um super jogador? Um jovenzinho bom de bola? Uma criança que ainda estivesse se preparando para ser o campeão do mundo? Eram dúvidas minhas. Mas não dele.
O Pelé pensava num personagem à sua semelhança naquele momento, quando ele ainda jogava e estava no Cosmos de Nova York.
Eu insistia que um personagem criança atingiria uma faixa de público importante para a perpetuação de sua marca-imagem. Com todas as possibilidades de fabulações e mensagens bem humoradas e positivas que os quadrinhos infantis permitem.
O projeto exigia um "lobby" corpo a corpo. E me despachei para Nova York onde, nos escritórios do Pelé, no Rockfeller Center, continuei minha campanha pelo Pelezinho.
Mas o Pelé não queria aceitar.
Capa da revista número 1
Insistia no Pelezão.
Então resolvi apelar. Lá mesmo, na sala do Pelé, rabisquei diversos "Pelezinhos" nas mais diversas poses. Ficaram muito bonitinhos. Daí sugeri ao Pelé que, como não estávamos nos entendendo, ele tirasse a dúvida mostrando esses desenhos para seus filhos. Kelly já era crescidinha e o Edinho se mostrava um garotinho esperto, atento.
Eu os tinha conhecido pouco antes ao visitar o apartamento onde Pelé morava ainda com Rose.
E sentia que se dependesse das crianças, o Pelezinho ganharia a parada.
E não deu outra.
No dia seguinte, quando cheguei ao escritório do Pelé, ele me esperava meio emburrado e confessou que a criançada tinha votado em peso no personagem que eu desenhara na véspera.
Daí para diante houve uma deliciosa temporada de novas criações e estudos que iam desde longos papos com o Pelé contando coisas da sua infância em Bauru e me ajudando na elaboração dos personagens secundários (todos seus antigos amiguinhos) até memoráveis cartinhas que ele me mandava dos mais diversos pontos do mundo, com lembranças de suas molecagens e sugestões de historinhas. E sem suas reminiscências, como conheceríamos seu amigo de todos os momentos Cana Braba? Ou sua primeira namoradinha, Neuzinha Sakai? Ou o frangueiro Frangão? A Samira, dos quibes? A Bonga namoradeira? Ou seu fiel cãozinho Rex, que ajudava até a cavar o buraco para as traves?
São as lembranças de uma infância mágica, carregada de amor da avó, dos pais e tios, todos fãs do pequeno Edson, antes, mesmo, que ele virasse o Pelé do mundo.
Tudo isso ajudou na elaboração das histórias em quadrinhos do Pelezinho que durante muitos anos foram publicadas em tiras de jornais e páginas de revistas.
Histórias que serviram para entreter e divertir milhares de leitores durante anos e que cumpriram a proposta de homenagear o maior jogador de futebol de todos os tempos. Sem contar com a infinidade de novos amigos-crianças que o Pelezinho granjeou para o Pelezão.
Mauricio de Sousa
posted by Fanático Santista 12:06 AM
O Santos de Pelé e o Botafogo de Garrincha. Jogando juntos na seleção os dois nunca perderam um jogo.
posted by Fanático Santista 11:48 PM
Pelé dando uma de Edinho.
Pelé já jogou no gol três vezes. Uma delas foi no jogo Santos 4 x Grêmio 3 (três gols de Pelé), pela Taça Brasil de 1963, disputado no Pacaembu em 19 de janeiro de 1964. O goleiro Gilmar recebeu o cartão vermelho e Pelé foi para o gol (foto). Dizem que ele pegava muito no gol quando brincava nos treino.
posted by Fanático Santista 5:36 PM
Pelé e Silvester Stalone fizeram um filme juntos.
posted by Fanático Santista 2:28 PM
Pelé no Noroeste
Pelé só não ficou, em definitivo, no Noroeste graças à sensibilidade de Waldemar de Brito, um exímio "olheiro", como se diz na gíria do futebol. Dondinho, no início era contra a transferência do filho para a Vila Belmiro. Acabou cedendo, porém, aos argumentos insistentes de Brito. Apesar da passagem muito rápida, Pelé chegou a fazer sucesso no Noroeste de Bauru. Na esperança que ele permanecesse no clube, a diretoria chegou a lhe oferecer um salário igual ao de Ranulfo que, na época, era a grande estrela da equipe de profissionais. A proposta parecia irrecusável e Pelé esteve a ponto de assinar o contrato. Na noite anterior à assinatura, entretanto, Dondinho recebeu a visita de Waldemar de Brito que, corrigindo o rumo da história, e usando argumentos misteriosos, mas irrecusáveis, o convenceu a levar Pelé para o Santos. (Os dez corações do Rei, José Castello)
Aos 15 anos, ainda com timidez de um menino, Pelé chega à Baixada Santista para jogar no Santos Futebol Clube.
posted by Fanático Santista 12:22 PM